O conversê da cidade tomou um novo rumo com a façanha do machão latino-americano. Com a mesma volúpia de sempre, ele parte para a caça. Ao contrário do que pensam os nobres leitores, o machão Latino-Americano é um homem que o campo de caça é irrestrito, em qualquer lugar pode ter um acontecimento - e uma sortuda para contar a história.
E o lugar é o mais impróprio para a caça: a santa igreja católica. Afinal, o machão latino-americano é um homem preso as tradições. Esse machão entra sorrateiramente na Igreja, no intuito de não chamar a atenção do mulheril. Obviamente a sua tentativa é um fracasso, pois elas sentem o cheiro forte de ferormônio que exalava de seu corpo. Era tanto que arrepiou a viuva. Essa viuva de tez pálida, com o rosário semi-contado na mão, avisando que naquela hora iria ter o início da fatídica Salve Rainha. "A oração mais importante do terço", segundo ela. Rezava pela morte do seu marido, um competente bancário, que não lhe faltava nada. A saudade lhe consumia a alma. Porém o cheiro nobre do Kayak misturado ao suor do dia de calor intenso que se fazia na cidade, fez com que a viuva sentisse uma sensação que consumia seu corpo em desejo proibido. Será que meu velho maridinho encarnou? Será que ele está aqui comigo? O cérebro e a alma processavam milhares de informações por segundo, mexendo com a cabeça dessa mulher, que estava em outra dimensão. Este odor torna mais intenso, mais vívido, mais dominador. Ela não controla sua salivação, toma um gole úmido e vê seu coração a um batimento tão intenso quanto a realização da sua primeira vez, no fundo dessa mesma igreja, na adolescência, quando conheceu seu finado marido. Os passos começaram a se apertar em direção da viuva, que tremia baixinho, para não acordar os santos. O machão sabia que a situação estava sobre controle. Ele sabia do dom poderoso que Deus lhe deu, de conquistar a mulher que quiser. Seu cheiro, seu domínio, seu traquejo, sua malandragem tomaram-na em desejo sexual. Ela pensava apenas em prazer, depois de tanto tempo sem sentir isso, depois de suportar a dor do marido, que morria aos poucos devido a maldita doença. Ela voltou a sorrir maliciosamente. A sorrir por um homem que era longe o mais intenso, o mais vívido, o mais forte amante que ela queria ter. Abraçou sem pestanejar, como se conhecesse aquele abraço de braços peludos e corpo suado do sol. Levantou e sentiu no meio das pernas a razão que movia o machão latino-americano a dotar de tamanha vitalidade, e sentiu-se rejuvenecida uns 15 anos. E este homem a possuiu, no momento que ela iria rezar o pai nosso. O beijo dentro da igreja, com tons de proibição, de pecado, de crime, era mais doce e mais intenso do que os ritos que fazia na epoca que era casada. Aquele beijo molhado, no roçar da barba mal-feita do machão com seus lábios úmidos de desejo, com um leve gosto de cachaça inebriante. Era o sentido da vida que fazia sentido de novo. O beijo longo, poderoso, tornou mais intenso quando o machão tirou-a da igreja e levou-na para a casa dela, no seu possante Ford Fiesta. Eles entraram, e ela descobriu que o sofrimento pelo enfermo marido era inútil, pois não tinha o amado da forma intensa do machão lhe amou.
Depois de duas horas, ele sai pela porta do quarto, pega sua camiseta floral e deixa-na sozinha, no arrependimento católico que voltou a dominar seu corpo. Parecia uma ex-drogada que tinha voltado ao vício. Quando se deu conta, não tinha nenhum telefone, nenhum contato, nenhuma forma de chamar ele para seu convívio novamente. E ela nunca mais o viu novamente.
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